Estou de quarentena há uns dias e esta experiência já me trouxe umas belas surpresas.
Entre outras coisas, estar com gripe A permite especialmete:
- Dormir
- Receber mimos
- Amar
- Conversar
- Ler (o livro Cultura, muito bom!)
- Ouvir música (novo dos The Antlers é um must!)
- Ver filmes
- Ver futebol (o Sporting não ganhou mas já mexe)
- Assitir a debates do Parlamento (e notar como nada mudou)
- Saber que o Goucha, o Jorge Gabriel, o Herman, a Júlia Pinheiro e comparsas continuam a dar educação ao povo português
Enfim, óptima oportunidade para fazer um check-up físico e mental ao estado das coisas (comigo incluído) e ganhar força, vontade e utopia para continuar a tentar mudar o meu pequeno mundo perfeito...
3 de dezembro de 2009
13 de novembro de 2009
F(uck)lying
E se nós não pudessemos mentir?
I mean...
Se as pessoas não soubessem mesmo mentir!
Não num sentido cinematográfico, em que o Jim Carrey luta contra uma força invisível que o impede de mentir, acabando sempre por soar confuso e atrapalhado por estar a falar verdade... ao ponto de ser gozado por quem o ouve.. e ninguém o levar a sério...
I mean...
Ninguém mentia, simplesmente! Porque não existia tal coisa... porque era impossível omitir... porque todos eram assim... porque a transparência reinava... porque a sinceridade era lei... porque a Verdade definia a condição humana...
I mean...
Ninguém podia pensar: "mas será que me está a mentir?"... "será que vai voltar a mentir?"... "será que é melhor mentir?"... "mas eu menti?"... "porque é que menti??"...
Imaginar as possibilidades que esta realidade abria...
...a Liberdade que cada pessoa ganhava... para cada um ser o que quisesse... mas SER mesmo! não só parecer... simplesmente... SER!
...dizer o que se pensa, apenas porque se pensa... sem segundas intenções...
Claro que a dúvida faz avançar o conhecimento. E o espírito crítico é fundamental na redefinição do que acreditamos como certo.. ou errado. A Ética persupõe dúvida... dúvidar é bom! Suspeitar é que é mau, mas isso vem das pessoas... da sua interacção umas com as outras...
Mas como era tudo diferente se cada ser humano não colocasse sequer a hipótese de que outro ser humano lhe podia estar a esconder algo, mentindo...
Confiança! Só depende de nós.. with a little help ;)
I mean...
Se as pessoas não soubessem mesmo mentir!
Não num sentido cinematográfico, em que o Jim Carrey luta contra uma força invisível que o impede de mentir, acabando sempre por soar confuso e atrapalhado por estar a falar verdade... ao ponto de ser gozado por quem o ouve.. e ninguém o levar a sério...
I mean...
Ninguém mentia, simplesmente! Porque não existia tal coisa... porque era impossível omitir... porque todos eram assim... porque a transparência reinava... porque a sinceridade era lei... porque a Verdade definia a condição humana...
I mean...
Ninguém podia pensar: "mas será que me está a mentir?"... "será que vai voltar a mentir?"... "será que é melhor mentir?"... "mas eu menti?"... "porque é que menti??"...
Imaginar as possibilidades que esta realidade abria...
...a Liberdade que cada pessoa ganhava... para cada um ser o que quisesse... mas SER mesmo! não só parecer... simplesmente... SER!
...dizer o que se pensa, apenas porque se pensa... sem segundas intenções...
Claro que a dúvida faz avançar o conhecimento. E o espírito crítico é fundamental na redefinição do que acreditamos como certo.. ou errado. A Ética persupõe dúvida... dúvidar é bom! Suspeitar é que é mau, mas isso vem das pessoas... da sua interacção umas com as outras...
Mas como era tudo diferente se cada ser humano não colocasse sequer a hipótese de que outro ser humano lhe podia estar a esconder algo, mentindo...
Confiança! Só depende de nós.. with a little help ;)
2 de novembro de 2009
29 de outubro de 2009
2 de outubro de 2009
18 de setembro de 2009
Exemplos vindos do Norte
"Recentemente, a Ikea anunciou que iria parar o seu projecto de expansão na Rússia, devido à corrupção das autoridades locais." in publico.pt
Ainda haverá valores éticos que se sobreponham às "oportunidades"?
Ainda haverá valores éticos que se sobreponham às "oportunidades"?
9 de setembro de 2009
Dilemas de casa-de-banho
Local de Trabalho. Casa-de-banho. Em frente ao espelho 3 avisos: A correcta lavagem das mãos; Racione o consumo de água; Desligue as luzes ao sair;
Ora, por mim tudo bem... sou todo a favor da prevenção da gripe A, sou todo a favor de salvar o planeta, seja através da redução do consumo de água ou da diminuição do consumo energético. MAS... e coerência nas mensagens, hein?
O passo 11 da "correcta lavagem das mãos" pressupõe a utilização do papel que serviu para secar as mãos para fechar a torneira, mantendo assim as mesmas "limpas e seguras". Mas isto viola claramente a regra número 2: "racione o consumo de água", que ficou a correr, desnecessariamente, enquanto secava as mãos (o que, vá, pode demorar tempo).
Anyway, desperdicei alguma água, ok... mas pelo menos tenho as mãos limpas e seguras! Vou para desligar a luz e, pera lá... a última pessoa que mexeu aqui, dado que as luzes estão acesas, estava a entrar na casa-de-banho e, por isso, tinha as mãos.. isso.. sujas e inseguras!
Alguém me chama a McKinsey para optimizar isto? agradecido...
Ora, por mim tudo bem... sou todo a favor da prevenção da gripe A, sou todo a favor de salvar o planeta, seja através da redução do consumo de água ou da diminuição do consumo energético. MAS... e coerência nas mensagens, hein?
O passo 11 da "correcta lavagem das mãos" pressupõe a utilização do papel que serviu para secar as mãos para fechar a torneira, mantendo assim as mesmas "limpas e seguras". Mas isto viola claramente a regra número 2: "racione o consumo de água", que ficou a correr, desnecessariamente, enquanto secava as mãos (o que, vá, pode demorar tempo).
Anyway, desperdicei alguma água, ok... mas pelo menos tenho as mãos limpas e seguras! Vou para desligar a luz e, pera lá... a última pessoa que mexeu aqui, dado que as luzes estão acesas, estava a entrar na casa-de-banho e, por isso, tinha as mãos.. isso.. sujas e inseguras!
Alguém me chama a McKinsey para optimizar isto? agradecido...
Quotations...
"Things turn out best for the people who make
best of the way things turn out"
John R. Wooden
best of the way things turn out"
John R. Wooden
30 de agosto de 2009
28 de agosto de 2009
"Saying ‘I’m sorry’ is the same as saying ‘I apologize.’ Except at a funeral."
I don’t like thank you cards because I don’t know what else to say. What do I put on the inside? “Man.” “See front.” I think they’re just really redundant. “Thank you” and you open it “Thank you.” Tell me something I don’t know, ya know. “Thank you; I fear dolphins.” This guy is grateful and interesting. And dolphins can be aggressive swimmers. You can say thanks and you can say thanks a million, but any number in between uh uh.
“Hey man thanks 256.”
“What?”
“Yeah you gave me a ride that’s not worth a million. You know what 255 for questioning me. Keep it up stupid; we’re headed for thanks 0 and that’s no thanks. “
“Hey man thanks 256.”
“What?”
“Yeah you gave me a ride that’s not worth a million. You know what 255 for questioning me. Keep it up stupid; we’re headed for thanks 0 and that’s no thanks. “
24 de agosto de 2009
18 de agosto de 2009
Next time
"so, next time they ask you where you wanna go.. do yourself a favour.. keep your mouth shut!"
19 de junho de 2009
In the waiting line..
Ontem, sala de espera do hospital, ouve-se chamar:
"Fernando Pessoa!"
Expectativa..
Era só um gajo com nome de poeta..
"Fernando Pessoa!"
Expectativa..
Era só um gajo com nome de poeta..
29 de maio de 2009
WTF's per minute...
No outro dia fui introduzido à melhor métrica de code review que já ouvi: "what a fuck's per minute!"
Gostava de introduzir uma nova métrica sobre o que mais me lixa no mundo do trabalho: Useless insinuations per minute! e há campeões disto...
Mundo
"Temos um gravíssimo problema na redistribuição da riqueza. A exploração chegou a requintes diabólicos. As multinacionais dominam o mundo. Não sei se são as sombras ou as imagens que nos ocultam a realidade. Podemos discutir sobre o tema infinitamente, o certo é que perdemos capacidade crítica para analisar o que se passa no mundo."
| José Saramago, "Diário de Notícias", 29-5-2009 |
25 de maio de 2009
Aparentemente tão pouco.. efectivamente tanto..
Toda a gente sabe (ou pelo menos as pessoas que trabalham sabem bem) que segunda-feira é... enfim... isso!
Ora, pois bem.. esta foi mel!
Mas nem dei por isso... só sei que fez sentido. Fez muito sentido!
19 de maio de 2009
Fazer sentido
Saber onde fica o porto de abrigo, saber partir à descoberta, saber que a música vai soar bem, saber que o destino te leva, saber quem és..
..só porque faz sentido!...
mas tão longe.....
18 de maio de 2009
Caetano Veloso
Pariu, cuspiu
Expeliu
Um deus, um bicho
Um homem
Brotou alguém
Algum ninguém
O quê?
A quem?
Surgiu, vadio (?)
Sumiu, escapuliu
No som, no sonho
No sono
São cem
Dão mil
São cem mil
Um milhão
Do mal, do bem
Lá vem um
Olhos vazios
De mata escura
E mar azul
Ai, dói no peito
A traição assim
Vai na alvorada, manhã
Sai do mamilo marrom
O leite doce, sal
Tchau, mamãe
Valeu
Cresceu, vingou
Permaneceu, aprendeu
Nas bordas da favela
Mandou, julgou
Condenou, salvou
Executou, soltou
Prendeu
Colheu, esticou
Encolheu, matou
Furou, fudeu
Até ficar sem gosto
Ganhou, reganhou
Bateu, levou
Mamãe, perdeu, perdeu
Céu
Mar e mata
Votos da luz desse olhar
Antes assim do que viver
Pequeno e bom
Não diz isso não
Diz isso não
A conta é outra
Têm que dar, têm que dar
Foi mal, papai
Anoiteceu
Brilhou, riscou
Brochou, olhou (?)
Ardeu, resplandeceu
A nave da cidade
O sol se pôs
Opôs
E nada aconteceu
O sol se pôs
Depois nasceu
E nada aconteceu
(3x):
O sol se pôs
Depois nasceu
E nada aconteceu
Expeliu
Um deus, um bicho
Um homem
Brotou alguém
Algum ninguém
O quê?
A quem?
Surgiu, vadio (?)
Sumiu, escapuliu
No som, no sonho
No sono
São cem
Dão mil
São cem mil
Um milhão
Do mal, do bem
Lá vem um
Olhos vazios
De mata escura
E mar azul
Ai, dói no peito
A traição assim
Vai na alvorada, manhã
Sai do mamilo marrom
O leite doce, sal
Tchau, mamãe
Valeu
Cresceu, vingou
Permaneceu, aprendeu
Nas bordas da favela
Mandou, julgou
Condenou, salvou
Executou, soltou
Prendeu
Colheu, esticou
Encolheu, matou
Furou, fudeu
Até ficar sem gosto
Ganhou, reganhou
Bateu, levou
Mamãe, perdeu, perdeu
Céu
Mar e mata
Votos da luz desse olhar
Antes assim do que viver
Pequeno e bom
Não diz isso não
Diz isso não
A conta é outra
Têm que dar, têm que dar
Foi mal, papai
Anoiteceu
Brilhou, riscou
Brochou, olhou (?)
Ardeu, resplandeceu
A nave da cidade
O sol se pôs
Opôs
E nada aconteceu
O sol se pôs
Depois nasceu
E nada aconteceu
(3x):
O sol se pôs
Depois nasceu
E nada aconteceu
20 de abril de 2009
Quotations
Peter Drucker
"There is nothing so useless as doing efficiently that which should not be done at all."
17 de abril de 2009
31 de março de 2009
Pensamentos I
Acabo sempre por misturar tudo...
Cheguei mesmo a ouvir de um familiar, com reprovação: "mas que grande mixórdia!". Soa mal, não é?
Pois, acabo sempre por misturar tudo...
"Ah deu merda? olha, não tivesses feito misturas..."
A verdade é que acredito que da mistura poderá sair algo novo, uma combinação diferente, uma ligação improvável. A verdade é que sempre me tive a cagar para receitas, e misturo à-vontade, sem critério, sem orientação...
"Saiu-te cócó?"
Começo a achar que preciso é de sequências, de saber escolher o momento certo para saltar para a ligação improvável, para a combinação diferente, para algo novo...
Dá pra aplicar um Genius à playlist da minha vida?
30 de março de 2009
19 de março de 2009
17 de março de 2009
So true...
Putt's Law
"Technology is dominated by two types of people: those who understand what they do not manage, and those who manage what they do not understand."
2 de março de 2009
Simplicidade das cousas...

26 de fevereiro de 2009
Sentidos de vida
tens uma característica estranha que dá sentido à tua vida?
tens um objectivo parvo que dá sentido à tua vida?
tens amigos que se lembram da tua característica estranha e conhecem o teu objectivo parvo? Parabéns! sim, a tua vida tem sentido!
25 de fevereiro de 2009
22 de fevereiro de 2009
Praia em Fevereiro, dia de mixed feelings...
11 de fevereiro de 2009
6 de fevereiro de 2009
Perfeito, perfeito! =)
Quando uma das tuas bandas preferidas vem a Lisboa apresentar o novo álbum, é muito bom!
Quando essa banda são os Mogwai, e é na Aula Magna, é perfeito!
Quando tens a oportunidade de ouvir as tuas músicas preferidas (novas e antigas).. é magia!
2 de fevereiro de 2009
26 de janeiro de 2009
Apoio ao cliente, parte I
Mais uma bela sessão de apoio ao cliente daquela empresa que, outrora, me perguntou depois de não me ter resolvido o problema: "Há mais alguma coisa em que lhe possamos ser úteis?"
Sim, há... Tmn, fezeis o obséquio de me ajudar a provar à Tmn que eu comprei um telemóvel bloqueado à Tmn, num revendedor autorizado pela Tmn mas que a dita Tmn, na sua loja de apoio ao cliente, não tem meios de verificar que a Tmn sabe que eu tenho um telemóvel (avariado) Tmn, que me dava jeito ver reparado pela Tmn.. mas que não tenho o carimbo?
Agradecido, até já...
(Em homenagem aos clientes que gostavam que um serviço dito de "apoio", o fosse... de facto!)
25 de janeiro de 2009
Razão de Nélson, Part III - O Sonho
A grande proeza de Obama foi, talvez, ter aparecido com uma mensagem tocante para as aspirações e crenças das pessoas, num momento crítico.. cheio de conteúdo e de verdade...! a malta acredita nele, não apenas pelas palavras que profere... mas pelos ideais e testemunho de vida que elas reflectem...
Ontem, no Bairro Alto, o mano Nélson fez mais uma aparição... e tal como o seu counterpart americano, no que diz respeito à inspiração no discurso... cativou...
Cativou pelo humor, cativou pela verdade, mas acima de tudo.. cativou porque, apesar da vida tramada que tem.. das expiriências que viveu.. do dia-a-dia de luta.. consegue transmitir uma mensagem de Paz.. de Alegria.. de Amor!
Opah, e como ficar indiferente a um relato destes:
- "(...) ya mano.. tava eu a ter um daqueles sonhos... bué reais, tás a veR?! daqueles que parece mesmo que te está a acontecer aquela cena.. e tava lá o Paulo Bento e o bófia que eu mais odeio lá do meu bairro.. dentro do Talho...! (...) e eu e os meus brothers cá fora a fumar umas brocas... (...) e vem de lá o Paulo Bento e dá-me um murro no olho, tás a ver? (...)
Ou a um:
(Para o Apm depois de um... "eia manoooo...." - Abraço): "(...) porque eu só te estou a abraçar porque curto bué do teu perfume, mano... (...)"
22 de janeiro de 2009
21 de janeiro de 2009
Demorou 3 meses...
É verdade ! Depois de ter ouvido tanta vez, como resposta ao "estou a trabalhar na Brisa", um desinteressado: "Então olha lá.. como é que a malta faz para não pagar portagens?".. aconteceu!
Sim, hoje a Brisa deu-me uma borla e não paguei portagem (viva o MB avariado e uma portageira simpática).. 30 cents pelo meu esforço e dedicação...
Hmm, será que este bónus ainda vai acabar por sair do bolso da rapariga? Fake empire...
Sim, hoje a Brisa deu-me uma borla e não paguei portagem (viva o MB avariado e uma portageira simpática).. 30 cents pelo meu esforço e dedicação...
Hmm, será que este bónus ainda vai acabar por sair do bolso da rapariga? Fake empire...
16 de janeiro de 2009
15 de janeiro de 2009
"O Amor é fodido!" by MEC
"O amor é fodido. Hei-de acreditar sempre nisto. Onde quer que haja amor, ele acabará, mais tarde ou mais cedo, por ser fodido."

ELOGIO AO AMOR
Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática.
Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra.
O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".
Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e
da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra.
A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.
MEC in Expresso

ELOGIO AO AMOR
Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática.
Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra.
O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".
Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e
da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra.
A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.
MEC in Expresso
13 de janeiro de 2009
CHOCOLATE QUENTE
Um grupo de jovens licenciados, todos bem sucedidos nas carreiras, decidiu fazer uma visita a um velho professor, agora reformado.
Durante a visita, a conversa dos jovens alongou-se em lamentos sobre o imenso stress que tinha tomado conta das suas vidas e do seu trabalho. O professor não fez qualquer comentário sobre isso e perguntou se gostariam de tomar uma chávena de chocolate quente. Todos se mostraram interessados e o professor dirigiu-se à cozinha, de onde regressou vários minutos depois com uma grande chaleira e uma grande quantidade de chávenas, todas diferentes – de fina porcelana e de rústico barro, de simples vidro e de cristal, umas com aspecto vulgar e outras caríssimas. Apenas disse aos jovens para se servirem à vontade. Quando já todos tinham uma chávena de chocolate quente na mão, disse-lhes:
– Reparem como todos procuraram escolher as chávenas mais bonitas e dispendiosas, deixando ficar as mais vulgares e baratas... Embora seja normal que cada um pretenda para si o melhor, é isso a origem dos vossos problemas e stress. A chávena por onde estais a beber não acrescenta nada à qualidade do chocolate quente. Na maioria dos casos é apenas uma chávena mais requintada e algumas nem deixam ver o que estais a beber. O que vós realmente queríeis era o chocolate quente, não a chávena; mas fostes conscientemente para as chávenas melhores...
Enquanto todos confirmavam, mais ou menos embaraçados, a observação do professor, este continuou:
– Considerai agora o seguinte: a vida é o chocolate quente; o dinheiro e a posição social são as chávenas. Estas são apenas meios de conter e servir a vida. A chávena que cada um possui não define nem altera a qualidade da vossa vida. Por vezes, ao concentrarmo-nos apenas na chávena acabamos por nem apreciar o chocolate quente que Deus nos ofereceu. As pessoas mais felizes nem sempre têm o melhor de tudo, apenas sabem aproveitar ao máximo tudo o que têm. Vivei com simplicidade. Amai generosamente. Ajudai-vos uns aos outros com empenho. Falai com gentileza…
… e apreciai o vosso chocolate quente.
(autor desc.)
Durante a visita, a conversa dos jovens alongou-se em lamentos sobre o imenso stress que tinha tomado conta das suas vidas e do seu trabalho. O professor não fez qualquer comentário sobre isso e perguntou se gostariam de tomar uma chávena de chocolate quente. Todos se mostraram interessados e o professor dirigiu-se à cozinha, de onde regressou vários minutos depois com uma grande chaleira e uma grande quantidade de chávenas, todas diferentes – de fina porcelana e de rústico barro, de simples vidro e de cristal, umas com aspecto vulgar e outras caríssimas. Apenas disse aos jovens para se servirem à vontade. Quando já todos tinham uma chávena de chocolate quente na mão, disse-lhes:
– Reparem como todos procuraram escolher as chávenas mais bonitas e dispendiosas, deixando ficar as mais vulgares e baratas... Embora seja normal que cada um pretenda para si o melhor, é isso a origem dos vossos problemas e stress. A chávena por onde estais a beber não acrescenta nada à qualidade do chocolate quente. Na maioria dos casos é apenas uma chávena mais requintada e algumas nem deixam ver o que estais a beber. O que vós realmente queríeis era o chocolate quente, não a chávena; mas fostes conscientemente para as chávenas melhores...
Enquanto todos confirmavam, mais ou menos embaraçados, a observação do professor, este continuou:
– Considerai agora o seguinte: a vida é o chocolate quente; o dinheiro e a posição social são as chávenas. Estas são apenas meios de conter e servir a vida. A chávena que cada um possui não define nem altera a qualidade da vossa vida. Por vezes, ao concentrarmo-nos apenas na chávena acabamos por nem apreciar o chocolate quente que Deus nos ofereceu. As pessoas mais felizes nem sempre têm o melhor de tudo, apenas sabem aproveitar ao máximo tudo o que têm. Vivei com simplicidade. Amai generosamente. Ajudai-vos uns aos outros com empenho. Falai com gentileza…
… e apreciai o vosso chocolate quente.
(autor desc.)
4 de janeiro de 2009
Subscrever:
Mensagens (Atom)
.jpg)

.jpg)



.jpg)


